Quem somos nós?

Quatro artistas interferindo em um mesmo suporte criam juntas uma poética coletiva. O grupo percebeu que há questões que vão além do ato de pintar juntas, pois o criar coletivamente é o resultado de conversas, encontros, vivências, onde o questionamento das individualidades, dos gestos, dos gostos, possibilitam a descoberta que Superfície é o acolhimento de todas as ações.

A construção de um trabalho é sinalizada pela primeira ação que pode ser uma mancha, um desenho, uma pincelada, um carimbo, um escorrer ou uma linha. A ação inicial rege as próximas que vão interagindo entre si, proporcionando uma liberdade que é dada pela integração dos gestos, gestos que são guiados pelo olhar atento de cada integrante que vê no espaço compartilhado a oportunidade de integrar o que é seu, com o que é da outra e com o que é do grupo, já não é mais a ação individual ela entrega-se ao espaço, numa ação de desprendimento e partilha.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Exposição "Inesgotável Superfície".


Na noite de 12 de março às 19h, ocorreu a abertura da exposição Inesgotável Superfície, do Grupo Superfície. As artistas que fazem parte do grupo Carla Borin, Carla Thiel, Daniela Meine, Mariza Fernanda, Natália Hax e Paloma De Leon apresentam oito telas pintadas a 6 mãos,  trabalhos construídos de forma coletiva.
Na chegada da galeria o público já pode apreciar a pintura mural criada exclusivamente para esta exposição.
A exposição tem a curadoria da artista visual e professora de pintura do Centro de Artes da UFPEL  Adriane Hernandez, que escreveu sobre o trabalho do grupo no texto abaixo.
DESLIZAMENTOS
Deslizar é a ação que minha visão produz diante das pinturas do Grupo Superfície. Embora geralmente se pense esta ação como relativa a um contato efetivo entre duas superfícies, neste caso é meu olhar solitário que, ao procurar uma distância justa, produz sensações deslocando-se com delicadeza. Ele vai e vem. É guiado por longas e esguias extensões, escorrega em espirais, resvala em manchas, plana em campos coloridos, se desintegra e se espalha, com rapidez e às vezes com lentidão. Atravessa transparências e se detém em opacidades. Ao encontrar emaranhados e tramas, tem dificuldades para seguir. Na pausa, consegue então descobrir pequenos pontos e traçados, que com graça e leveza, produzem sutis arabescos, gotejamentos e bordas, algo da ordem da minúcia, que gera a grandeza. O certo é que minha visão não encontra paz, pois há uma profusão de estímulos visuais em uma fascinante fábrica de sensações.
A exposição poderá ser visitada até dia 6 de abril, na Rua Anchieta, 4480


Pintura mural



"Saturações". Acrílica s/ tela, 73 cm x 73 cm, 2013.
R$ 450,00



"Itinerantes I". Acrílica s/ tela, 70 cm x 156 cm, 2013.
R$ 900,00



"Itinerantes II". Acrílica s/ tela, 70 cm x 156 cm, 2013.
R$ 900,00



"Itinerantes III". Acrílica s/ tela, 73 cm x 73 cm, 2013.
R$ 450,00



"Intervenções IV". Acrílica s/ tela, 100 cm x 100 cm, 2012.
R$ 600,00 



"Inesgotável Superfície". Acrílica sobre tela, 90 cm x 160 cm, 2013.
R$ 1.200,00



Somas Compartilhadas, acrílica s/ tela, 130 cm x 164 cm, 2012.
R$ 1.300,00



"Deslizamentos". Acrílica sobre tela, 170 cm x 200 cm., 2013.
R$ 1.450,00 






















domingo, 11 de novembro de 2012

Integrante do Grupo Superfície, Carla Thiel, recebe Menção Honrosa pelo Juri Popular, por seu trabalho exposto no III Prêmio de Artes Visuais João Simões Lopes Neto.

Recriar o universo simoneano, requer buscar no imaginário as sensações que a literatura projeta pela sua essência. Nesta busca algumas coisas se tornam norteadoras no processo de criação, através do desenho, da sobreposição e principalmente na ocupação do espaço busquei fragmentar uma narrativa noturna pelos elementos descritivos que encontrei nos contos e lendas do autor. A principal inspiração foi o conto "Trezentas onças", onde trago como elemento simbólico a onça pintada que é a figura da cédula de 50 reais, mesclando elementos do cotidiano e paisagens locais para gerar um diálogo entre a literatura e a visualidade atual.


Carla Thiel




















sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Trabalho que está exposto no Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo, no III Prêmio de Artes Visuais Simões Lopes Neto.




Rastros de Alma 

Imersas no Universo Simoniano, transitamos de um lado a outro da narrativa, habitando os caminhos percorridos pelo escritor, ora da memória, ora da história. A partir das leituras elegemos uma linguagem plástica que fizesse fronteira entre os dois universos: a Literatura e as Artes Visuais. Propomos percursos narrativos, onde o desenho e a linha dão um suporte para a criação de um território do sensível, que depois de elaborados são reconfigurados através de uma escrita com fragmentos dos contos de Simões. Esses territórios transcritos para o papel são nossas impressões, contaminadas pelo processo mágico do ”era uma vez”, pela fronteira entre o imaginado e o real, o bem e mal, o profano e o sagrado e o imanente e o transcendente. Detectamos na forma e no conteúdo da escrita Simoniana, níveis e núcleos significativos que representam as camadas de um universo criado pelo escritor, o que nos possibilitou buscar esses “rastros de almas”.

Grupo Superfície